21ª ASPEN – O Papel do Hidrogênio na Transição para a Economia de Baixo Carbono no Brasil

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Categoria: Webinar

ECONOMIA DE BAIXO CARBONO

Governo estimula debate sobre transição energética

Planejamento da pasta de Minas e Energia aposta no hidrogênio como tecnologia disruptiva

Embora o período de pandemia seja marcado por imprevisibilidades que possam dificultar a elaboração de prognósticos futuros, o governo brasileiro tem evidenciado a preocupação com políticas de longo prazo referentes às matrizes energéticas. A divulgação da minuta do relatório do Plano Nacional de Energia (PNE 2050), no mês de julho, demonstra o comprometimento com uma pauta que estava estagnada desde 2007. O documento apresenta fundamentação voltada para o desenvolvimento do setor, além de traçar premissas para a consolidação da transição energética.

Entre as temáticas dispostas na proposta estão presentes as reflexões em torno das tecnologias disruptivas, ou seja, as inovações que podem apresentar soluções alternativas a modelos consolidados de mercado. Nesse sentido, as fontes renováveis ganham protagonismo por apresentarem possibilidades efetivas para a economia do baixo carbono.

Justamente pela alta potência de energia, – a partir da queima, e pelo caráter renovável da combustão, o hidrogênio é encarado como opção transversal. Os desafios para a entrada do componente na matriz nacional foram objetos de reflexão de especialistas no 21º Webinar organizado pela Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional, sob a articulação do Instituto Besc de Humanidades e Economia, intitulado “O papel do Hidrogênio na transição para a economia de baixo Carbono no Brasil”.

Visão pragmática – “O hidrogênio não é uma aplicação exótica. O uso da tecnologia pode acontecer no Brasil”, aponta Alberto Coralli, pesquisador de pós-doutorado do programa de Engenharia de Transportes no Laboratório de Hidrogênio da Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O cientista ressalta que as tecnologias do hidrogênio tem relevância no setor energético, industrial e de transporte, fator que endossaria o estímulo de investimentos. Inclusive, revela a capacidade de o elemento vir a se tornar commodities.

A leitura abrangente visa uma amplitude de horizonte, por isso é necessário extrapolar as circunstâncias do presente. Embora os preços possam parecer elevados a princípio, semelhante ao que aconteceu no começo da implementação da energia eólica no Brasil, é necessária uma compreensão do uso hidrogênio a longo prazo. Janine Padilha Botton, docente de química no Instituto Latino-Americano de Ciências da Vida e Natureza – Unila, considera que não se trata da substituição de outras energias, mas de outra opção para o estabelecimento da transição energética. “O hidrogênio, por exemplo, é uma forma de armazenar energia eólica. Novas tecnologias baixam custos e aumentam a eficiência do sistema”.

Neutralidade tecnológica – Analista de pesquisa energética da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituição responsável pela elaboração da PNE 2050 e vinculada ao Ministério de Minas e Energia, Mariana Lucas Barroso, pondera que a versatilidade do emprego do hidrogênio, seja por uso energético ou não, indica crescimento do mercado do produto no cenário internacional. A tendência é que o Brasil acompanhe a conjuntura global e adote uma postura voltada para a imparcialidade. “A neutralidade permite que possamos seguir caminhos flexíveis, em que serão consideradas quedas de custo e tempo de maturação de tecnologias. Isso permitirá adotar o tipo de tecnologia mais adequado e competitivo, aproveitando os recursos mais interessantes que estão disponíveis”.

A consequência da adoção dessa tomada de posição seria a melhor avaliação a respeito da aplicação dos atributos disponíveis, como o gás natural, o etanol, resíduos e as energias eólica e solar. “Essa estratégia permite pensar em ganhos de economia de escala e economia de escopo; sem contar os benefícios das variações híbridas e de sinergia”, comenta Mariana.

Panorama mundial – A transição para uma economia voltada para o baixo carbono tem relações estreitas com as questões geopolíticas. A luta por independência e segurança energética provoca uma impulsão por novas tecnologias renováveis. Para Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, a ABEEólica, reforça que não se trata de uma mudança decorrente das mudanças climáticas, de aquecimento global ou de tratados ambientais. “Os países estão se movendo para uma economia de baixo carbono porque essa busca tem fundamentação técnica, econômica e política. A abertura para fontes renováveis mostra uma redução de custo e um aumento de competitividade”.

A visão internacional auxilia a interpretar os obstáculos no progresso de novas tecnologias energéticas no mercado doméstico. Com vivência profissional internacional na área de projetos de conversão de veículos elétricos e de hidrogênio, Roberto Saldo, CEO da Escola Tesla Brasil, dá a burocratização a conotação de empecilho para a exploração das potencialidades das pesquisas no país. “Caminhos flexíveis estão faltando aqui. É muito complicado desenvolver tecnologia aqui, não por acaso muitos profissionais vão para fora. As formas de pensar precisam ser alteradas para que possa ocorrer a viabilidade das tecnologias”.

Websérie – Todos os episódios da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional estão disponíveis no canal do Instituto Besc de Humanidades e Economia no YouTube. O evento online acontece às terças-feiras, a partir das 17h (horário de Brasília), aberto ao público e pelo mesmo canal. Acompanhe a agenda de debates por meio dos perfis da organização no LinkedIn e Facebook.

https://www.youtube.com/watch?v=cNsOiuqoLDw&t=4s