24ª ASPEN – Economia do Mar: Indústria e Logística

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Categoria: Webinar

ECONOMIA DO MAR: INDÚSTRIA E LOGÍSTICA

Os desafios para o desenvolvimento da economia do mar

Com a “BR do Mar” em evidência, especialistas analisam a conjuntura da indústria naval e do transporte marítimo

Diogo Henrique Silva

Especial para o Instituto Besc de Humanidades e Economia

Os desafios para o desenvolvimento da economia marítima tem despertado a atenção das autoridades brasileiras nos últimos anos. Desde a publicação do relatório da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em 2016, com estimativas positivas referentes ao progresso do setor para 2030, o Brasil passou a adotar medidas estratégicas para otimizar a exploração dos serviços na costa. Não por acaso, o país foi o segundo a protocolar perante a Organização das Nações Unidas, a ONU, uma demanda por extensão do território náutico – passaria de 4,7 milhões de quilômetros quadrados para 5,7 milhões. A ação foi impetrada em 2018, um ano após o estado assumir compromisso com a mesma entidade de utilizar os recursos marítimos de maneira sustentável.

A economia do mar, chamada de “economia azul”, não abrange apenas a extração de patrimônios naturais. Além da produção de petróleo e gás e da mineração, a defesa, os portos, o tráfego marítimo, a indústria naval, o turismo e a pesca compõem a amplitude de atividades relativas ao âmbito marítimo. Com o objetivo de potencializar os negócios do ramo, o executivo federal encaminhou para o Congresso, em agosto, o projeto para a criação do programa batizado de “BR do Mar”. Idealizada pelo Ministério da Infraestrutura, Ministério da Defesa, Ministério da Economia e Casa Civil da Presidência, a legislação tem o intuito de alavancar a oferta da cabotagem. O plano está em sintonia com o cluster criado pela esfera privada e Marinha do Brasil no ano passado.

Os tópicos de fomento ao desenvolvimento da economia marítima foram o ponto alto da 24ª edição da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional, a ASPEN, evento promovido pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia. O fórum “Economia do Mar: Indústria e Logística” foi comandado por Gustavo Inácio de Moraes, professor adjunto do Programa de Pós-Graduação em Economia da Escola de Negócios da PUC-RS, e contou com a presença marcante de profissionais gabaritados da área.

Cluster­ – Em novembro passado, empresários da indústria naval e a Marinha do Brasil resolveram estabelecer polos de companhias na tentativa de retomar o crescimento do segmento no Rio de Janeiro. A Associação do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro prioriza a eficiência logística, o estabelecimento de cadeias produtivas, a aplicação de inovação e “spill over” de tecnologias do conhecimento e a segurança nos trâmites comerciais.

A Empresa Gerencial de Projetos Navais, a Emgepron, fundação pública comandada pelo Ministério da Defesa, está à frente da coordenação do coletivo empresarial. Os players das atividades econômicas prioritárias foram identificados. São elas: construção e reparação naval, desmantelamento e descomissionamento, serviços marítimos, exploração e explotação off shore, e defesa e segurança. Para André Gabriel Sochaczewski, Capitão de Mar e Guerra da Reserva da Marinha, gerente executivo da Unidade de Negócios de Logísticas da Emgepron, a concepção é organizar o ambiente de negócios sob o pilar da governança, conhecimento tecnológico e das relações institucionais. “A atuação dessa estrutura visa a mentalidade marítima, a vontade política, a mobilização de agentes econômicos e uma abordagem integrada entre estado, empresariado e academia.”

“BR do Mar” – O Programa de Incentivo à Cabotagem enfatiza quatro eixos: a frota, a indústria naval, os custos e os portos. O governo alega que na frota os benefícios teriam impacto no uso de embarcações de terceiros e na facilidade de aquisição de novas naus. Já a indústria naval teria um incentivo às empresas brasileiras; principalmente para aquelas que se dedicam a manutenção da frota. Enquanto no que condiz ao custo, uma nova agenda proporcionaria um aumento de competitividade das empresas de navegação. Os portos seriam modernizados, inclusive com a ampliação dos terminais de cabotagem.

O fato de o Brasil ser um grande país produtor e exportador de commodities não pode ser dissociado da conjuntura que visa prosperidade para a logística marítima. A posição geográfica afastada dos principais mercados consumidores exige do país extrema competência da parte de logística para que os produtos possam ser competitivos.

Nesse sentido, Thiago Pereira, gerente executivo de Logística, Portos e Shipping da Suzano Papel, acredita que apesar de pontos controversos, a BR do Mar apresenta caminhos que propiciam a propulsão desse modal da matriz de transportes. “Nem todos os setores concordam com todos os pontos, mas existem bons itens da proposição. É importante implantar as condições previstas na “BR do Mar” e continuar com legislações que incentivem o transporte marítimo.” Ele considera que outros temas requisitam atenção e carecem de reflexão. “Na questão do transporte, por exemplo, aspectos como tripulação e combustível precisam ser discutidos. Sem abordar alguns aspectos fica difícil falar que a lei comporta todas as necessidades do setor”, conclui o representante da indústria de celulose.

Movimentos e coletivos da indústria naval revelam descontentamento com as regulamentações previstas na “BR do Mar”. Depois de 2014, houve uma queda abrupta na demanda por embarcações. Dos 42 estaleiros existentes no território nacional, apenas doze estão funcionando. A informação foi apresentada por Sérgio Bacci, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, a SINAVAL. Durante o encontro virtual, ele teceu críticas aos precedentes negativos que a “BR do Mar” pode gerar e piorar o cenário atual. “Hoje, a maioria das empresas que operam no Brasil têm matriz fora. Eles vão construir navios novos para operar lá fora e trazer os usados para o país. Reparo não é incentivo à indústria naval.”  Mesmo com todos os apontamentos, o executivo se mostrou disposto à conversa. “Estive com o ministro da Infraestrutura apresentando sugestões para que pudéssemos tornar o projeto viável e não acabar com a indústria naval. Eu não vejo outra forma que não seja o diálogo. Tem coisas boas, mas temos que debater vários pontos”, considera Bacci.

Websérie – Todos os episódios da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional estão disponíveis no canal do Instituto Besc de Humanidades e Economia no YouTube, onde também podem ser acessados os demais episódios da Websérie, que conta com o patrocínio das marcas Aliança, Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Câmara Brasileira de Contêineres (CBC), Dex Soluções Logísticas, Emgepron, Iochpe-Maxion, JSL, Movida, Repom e Scania. O evento online acontece às terças-feiras, a partir das 17h (horário de Brasília), aberto ao público e pelo mesmo canal. Acompanhe a agenda de debates por meio dos perfis da organização no LinkedIn e Facebook.

https://www.youtube.com/watch?v=2hah7vdSeH0&t=551s