26ª ASPEN – Os Grandes Desafios do Comércio Exterior Brasileiro

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Categoria: Webinar

COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO

Retomada de crescimento aponta prosperidade para o comércio exterior brasileiro

Agenda acertada do Ministério da Economia prevê novos acordos para a ampliação das exportações

Diogo Henrique Silva

Especial para o Instituto Besc de Humanidades e Economia

Embora o período pandêmico possa ter apresentado dificuldades para o setor econômico, o Brasil simboliza recuperação financeira. Os dados publicados pela a OCDE, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, no mês de agosto, corroboram a visão do secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Roberto Fendt. As considerações do ex-secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China levam em conta as características do comércio exterior do país e as perspectivas para o próximo ano.

O economista fundamenta seu posicionamento amparado pela influência das commodities na totalidade das transações. Mesmo que o preço dos produtos primários tenha retraído, juntamente a uma queda do PIB de 9,7% no segundo semestre, o estado brasileiro apresentou performance melhor que outras grandes economias globais. “Os volumes exportados se mantiveram. Soja, minério de ferro, petróleo e celulose tiveram desempenho, para alguns, surpreendente, em decorrência de que o nosso principal parceiro, a China, tem experimentado uma recuperação diferente dos outros países”.

Agregado ao cenário atual, a confiança na ratificação de tratados, como o do Mercosul com a União Europeia para o primeiro semestre de 2021, desperta confiança na continuação da retomada econômica. “Nós acreditamos que a parte comercial do acordo será rapidamente fechada e submetida aos parlamentos daqui e de lá”, pontuou Fendt a respeito do pacto que não se restringe ao âmbito tarifário e abarca o desenvolvimento sustentável. Também em situação avançada de negociação, encontra-se um convênio sem imposições restritivas alfandegárias com a Associação Europeia de Comércio Livre, a EFTA, composta por Islândia, Liechtenstein, Suíça e Noruega. A procura por novos acordos comerciais é justificada na leitura sobre os desdobramentos com a Organização Mundial do Comércio. O secretário revelou empenho em protocolos de facilitação do comércio com os Estados Unidos e uma agenda composta por tratativas éticas. O redirecionamento das relações na esfera internacional pode provocar uma mudança de patamar. “As medidas permitem que a gente se adeque a uma série de pontos que são importantes para o nosso acesso a OCDE. Já cumprimos o equivalente a cinquenta por cento dos requisitos.”

As avaliações foram feitas na última terça, dia 29, durante a 26ª edição da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional promovida pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia.  A temática do encontro virtual “Os Grandes Desafios do Comércio Exterior Brasileiro” teve a participação de personalidades de vasta vivência na área das negociações estrangeiras.

Orientação política – O mercado global enfrenta uma desaceleração econômica, reflexo do declínio do comércio internacional. Agregado a essa situação, a conjuntura política dos países hegemônicos perpassa diretamente a organização de interdependência financeira globalizada. Afinal, a dependência brasileira da China poderia estar comprometida pelo alinhamento ideológico com os Estados Unidos, ainda mais em um momento de eleição presidencial do país da América do Norte. Porém, Roberto esclarece que o conflito não constrange a continuidade de alianças estabelecidas ou da busca por novas parcerias, uma vez que o viés da disputa entre os dois países é tecnológico e não comercial. “O comércio não tem ideologias, o comércio tem ganhos para todos os lados. Nós temos interesses, queremos vender a um bom preço, no maior volume que pudermos. Esse entrevero até o presente momento não nos prejudicou em nada e não vejo como pode prejudicar.”

Indústria e commodities – O desenvolvimento científico propicia uma potência industrial superior. Ponto preponderante para o comércio exterior, a competitividade está atrelada aos recursos tecnológicos disponíveis. Existe uma preocupação com a perda de espaço do setor secundário na representatividade das exportações do país em virtude da falta de investimentos. Rubens Barbosa, embaixador e diretor-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior – IRICE, ressalta que a base industrial brasileira vai precisar se adequar a novas demandas. “A questão da tecnologia e do 5G vai ser muito importante para a modernização da indústria. A competitividade é o principal fator negativo, sobretudo pelo atraso de inovação.”

A eficiência no processo de fabricação dos produtos tem instigado a atenção das indústrias nacionais. A competência passa a ser parâmetro decisivo em uma configuração de retração internacional. As previsões para o ramo automotivo, por exemplo, indicam uma diminuição de produção em torno de trinta por cento no Brasil em relação a 2019. A projeção traçada por Marcos Oliveira, presidente e CEO da Iochpe-Maxion, leva em consideração a retração da economia mundial. Todavia, o planejamento de comércio exterior não deve depender da taxa cambial. “É muito difícil definir uma estratégia com base no câmbio. Por isso a competitividade das empresas é muito importante em termo tecnológicos, de mão-de-obra, em qualidade e de capacidade logística. Por isso, temos que buscar a eficiência operacional, associada à digitalização dos negócios.”

Se na indústria o panorama é complicado, a tendência do quadro das commodities apresenta teor promissor. A excelência logística corrobora com o contexto de linhas alternadas de produção, somado à qualidade. “Nós temos uma linha de expedição diferenciada, caso da soja e do milho. Trabalhamos um produto em cada período e temos uma vantagem de frete de dez dólares sobre a origem americana e de cinco sobre a origem argentina”, disse Liones Severo, sócio-diretor da SimConsult, e considerado um dos maiores consultores de soja no país. Não por acaso, a Associação de Comércio Exterior do Brasil, a AEB, cravou que as dez primeiras posições referentes aos produtos mais exportados em 2020 serão ocupadas apenas por produtos primários.

Web Série – Todos os episódios da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional estão disponíveis no canal do Instituto Besc de Humanidades e Economia no YouTube, onde também podem ser acessados os demais episódios da Websérie, que conta com o patrocínio das marcas Aliança Navegação, Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Câmara Brasileira de Contêineres (CBC), Dex Soluções Logísticas, Emgepron, Iochpe-Maxion, JSL, Movida, Repom e Scania. O evento online voltará a sua programação normal em 01 de dezembro de 2020. Acompanhe a agenda de debates por meio dos perfis da organização no Linkedin e Facebook.

https://www.youtube.com/watch?v=wodqFN2Waw0&t=13s