30ª ASPEN – Logística Reversa de Embalagens em Geral

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Categoria: Notícias, Webinar

LOGÍSTICA REVERSA

Responsabilidade compartilhada para futuro ambiental promissor

Diogo Henrique Silva

Especial para o Instituto Besc de Humanidades e Economia

Gestores da iniciativa privada repercutiram a lógica de restituição dos resíduos sólidos e o engajamento do campo empresarial com a produção responsável, ontem (13/04), durante a realização da 30ª ASPEN, Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional. A webinar “Logística Reversa de Embalagens em Geral”, realizada pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia, foi mediada por Gábor Deák, diretor de Tecnologia do Sindipeças. Transmitido ao vivo pelo Youtube, o encontro está disponível na íntegra no canal do Instituto.

A menos de um ano para o fim do prazo que determina o fechamento dos lixões, metade das cidades brasileiras ainda descarta rejeitos neste tipo de depósito. Aproximadamente três mil unidades ainda estão em operação e precisam ser desativadas para que ocorra o cumprimento de uma das principais metas instituídas na Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. Estabelecido pela lei 12.305 de 2010, o plano elenca diretrizes com a finalidade de equalizar o gerenciamento de detritos; entre elas está a substituição dos lixões por aterros sanitários. A proposta é respaldada por princípios sustentáveis, que incentivam o reaproveitamento de resíduos sólidos por meio da logística reversa, a indústria da reciclagem e o desenvolvimento de tecnologias limpas.

O regimento do âmbito federal serve como pilar para orientar as legislações nos níveis estadual e municipal. A PNRS disserta prerrogativas que abarcam tanto o setor público, quanto o privado. Ações do estado e do mercado demonstram o comprometimento com a responsabilidade compartilhada. No final do mês de março, a título de exemplo, o ministro Rogério Marinho, de Desenvolvimento Regional, reiterou a prioridade de instaurar o serviço de coleta seletiva em todo o país e, consequentemente, promover fomento para as cooperativas de catadores.

Logística reversa na esfera privada – Do montante total de resíduos sólidos urbanos, apenas cinco por cento são recuperados. Existem outros 25% que têm potencial reciclável e são descartados. Levando em consideração tal conjuntura nacional, a FIESP, em 2017, decidiu criar o Sistema de Logística Reversa de Embalagens com o intuito de explorar a indústria da reciclagem. O modelo alternativo proporciona às micro e pequenas empresas do estado de São Paulo uma oportunidade de efetuar as exigências dispostas na PNRS, no que diz respeito à logística reversa depois da utilização dos recipientes pelo consumidor. Os fabricantes adquirem um Certificado de Reciclagem, que tem valor balizado nas notas fiscais do que o operador municipal já disponibilizou para as indústrias de transformação, com o propósito de prestar contas aos órgãos públicos. O dinheiro arrecadado com a comercialização dos registros é investido nos operadores e banca os custos do procedimento. Segundo a gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIESP, Anícia Bapstitello Pio, até agora foram ofertadas quinze concorrências de venda de Certificados de Reciclagem que permitiram a inserção de mais de 204 mil toneladas de rejeitos na cadeia produtiva. “Nós estamos evoluindo para assinarmos parcerias com outros estados e também para criarmos uma gerenciadora específica para cuidar desse sistema”, destacou a especialista, que o projeto já está presente no Mato Grosso do Sul e Amazonas.

Impedir a chegada e, ao mesmo tempo, retirar os resíduos sólidos dos aterros sanitários e aplicá-los na linha da reciclagem faz parte da pauta de grandes empresas que ostentam a bandeira da sustentabilidade. André Navarro, diretor da RCR Ambiental, acredita na necessidade de repensar a mentalidade de consumo das embalagens. Para ele, as indústrias devem contribuir ativamente na captação das embalagens utilizadas. “A TerraCycle (entidade dedicada a programas de coleta e reciclagem) utiliza sistema de correios […] A RCR recebe produtos da Melitta, da L’or, da Pilão, da Avon, através das brigadas formadas pela TerraCycle. Qualquer um, um condomínio ou uma escola, pode formar uma brigada que é um time de coleta. Coleta os produtos de determinada categoria e é remunerado de alguma forma por tantas toneladas que são retiradas do meio ambiente”, esclarece o executivo. Também representante da categoria, Alexandre Citvaras, diretor de Novos Negócios da Orizon – Valorização de Resíduos acredita que o esforço da logística reversa deve atingir toda a indústria, a ponto que o aterro sanitário passe a ser visto como um poço de petróleo. “O resíduo é fonte de matéria-prima para reciclagem, fonte de biogás para geração de energia. Atualmente, a Orizon comercializa 1,7 milhões de créditos de carbono por ano, advindo da queima controlada de metano dos aterros e na geração de energia”, elucida Citvaras.

Exemplo a ser seguido – Hoje, existem 23 fábricas de latas de alumínio no país. É o terceiro no ranking de maiores mercados de latas do mundo. Não por acaso, envasa mais de 70% de toda produção de cerveja vendida no território brasileiro. Guilherme Canielo, gerente de Relações Institucionais da ABRALATAS, Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio, ressalta o pioneirismo da embalagem na eficiência da economia circular. Em 2019, 97,6% do material foi reciclado. “É um trabalho que envolve um milhão de pessoas no Brasil, formado, principalmente, por catadores de materiais recicláveis. São injetados cerca de cinco bilhões de reais na economia, com a geração de quase dois milhões de salários mínimos”, afirmou o administrador.

Websérie – Todos os episódios da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional estão disponíveis no canal do Instituto Besc de Humanidades e Economia no YouTube. O evento online acontece mensalmente, sempre às terças-feiras, a partir das 17h (horário de Brasília), aberto ao público e pelo mesmo canal. Acompanhe a agenda de debates por meio dos perfis da organização no LinkedIn e Facebook.

https://www.youtube.com/watch?v=11axulJqPls&t=583s.