27ª ASPEN – Brasil, Um País de Oportunidades para Brasileiros e Estrangeiros

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Categoria: Webinar

EMPREENDEDORISMO

Empreendedorismo como possibilidade de desenvolvimento

Em ano marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, empresários e gestores do setor público discutiram sobre alternativas para a retomada do crescimento econômico

O isolamento social, como medida profilática, impactou diretamente o funcionamento regular dos setores de prestação de serviços e industrial no país. O reflexo econômico oriundo dos protocolos de quarentena pode ser comprovado, por exemplo, pelo índice de desemprego divulgado no mês de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados apresentados mostram um aumento de 33,1% da taxa entre os meses de maio e setembro, o que representa um aumento de 3,4 milhões em cinco meses, atingindo o total de mais de 13,5 milhões de desempregados.

Os resultados só não são piores graças às ações rápidas adotadas pelo Governo Federal. Logo após a primeira morte confirmada pela doença no país, no mês de março, o presidente Jair Bolsonaro flexibilizou as regras trabalhistas para que as demissões fossem reduzidas. No primeiro dia de abril, o chefe do executivo federal sancionou o benefício do auxílio emergencial. De acordo com números do Centro de Estudos da Metrópole da USP, publicados em agosto, o programa foi responsável por reduzir a pobreza e levar a desigualdade brasileira ao menor nível da história.


Justamente com o intuito de refletir a respeito de alternativas para a emancipação financeira dos cidadãos, o Instituto Besc de Humanidades e Economia promoveu na última terça-feira a 27ª ASPEN, Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional. Focado na temática “Brasil, um país de oportunidades para brasileiros e estrangeiros”, o evento contou com a participação de de palestrantes da primeira categoria do empreendedorismo no país e executivos da Caixa Econômica Federal.

Empreendedorismo

Pedro Guimarães, presidente da Caixa, fez questão de ressaltar a mudança de agenda da instituição nos últimos dois anos. Desde que assumiu a presidência, ele aponta que mais de 250 mil empresas receberam mais de 25 bilhões de reais. “Nós estamos emprestando para quem nunca teve acesso à linha de crédito. Dessas 250 mil, 180 mil nunca tiveram acesso a nenhum banco”, complementa o economista. Anteriormente, a quantia foi destinada a apenas duas grandes empresas, sendo que uma delas nem pagou o financiamento.

Com uma trajetória de superação e conhecido por ter a maior empresa da América Latina em reciclagem e desmontagem de veículos, a JR Diesel, Geraldo Rufino defende que o contato direto com a sociedade, por meio do exercício da sensibilidade, permite uma compreensão do que é necessário fazer para transformar a vida as pessoas. Criado na periferia de São Paulo, o empresário acredita que o fluxo de dinheiro acontece nas camadas inferiores. “Se você se preocupa com a base, você se preocupa com o todo. […] Se você der acesso e oportunidade para empreendedores está dada a partida.”

O fomento de investimentos é crucial, mas não parece ser a única chave da busca por excelência nos negócios. Alcides Braga, cofundador da Truckvan – líder nacional na fabricação de baús e módulos para caminhões, considera a prudência preponderante na superação de fases adversas, como a crise provocada pelo coronavírus. “Os pilares da gestão passam pela obsessão por qualidade e a coerência com os compromissos financeiros com os bancos e encargos”, disse o diretor do Departamento de Infraestrutura da FIESP. Além disso, o administrador reconhece que é função do pequeno e médio empresário enfrentar a complexidade das legislações condizentes para esses patamares. “Teria que ser mais simples. A gente vê o ministro Paulo Guedes trabalhando na simplificação dos impostos. Para pagar certo, a gente paga mais para não correr riscos. Isso é uma coisa que precisa ser enfrentada.”

Investimentos estrangeiros

Especialista na construção de rede de contatos profissionais, Tom Reaoch trabalha diretamente com promoção e marketing de entidades e empresários. Com mais de quarenta anos de experiência no Brasil, o produtor e apresentador do Talk 2 Brazil Business Connection defende que a consolidação de boas parcerias está condicionada ao networking  que cada empreendedor tem. “Se o estrangeiro não sabe, precisamos oferecer em outro idioma para sermos achados. O Linkedin, por exemplo, é uma plataforma de relacionamento. Ela oferece oportunidades para ter um perfil em uma série de idiomas. Eu tenho um perfil em inglês, português e mandarim. Eu não falo mandarim, mas na região de Campinas – cidade que ele habita – nós temos muitos investimentos de empresas chinesas”, explica o estadunidense que alega que a maioria dos sites das companhias brasileiras não tem conteúdo em inglês.

Fora a barreira do idioma, a instabilidade nos ciclos econômicos do Brasil desperta insegurança internacional. Segundo Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, da Abipeças, e do conselho de administração da Iochpe-Maxion, a condução macroeconômica acarreta um desgaste da imagem institucional. “Nós temos oportunidades, mas temos desafios brutais. […] A gente se protegeu tanto no Brasil. Houve pânico de se integrar ao mundo até pelo custo-Brasil, que é real, mas do outro lado a gente deixou uma oportunidade colossal, e que não é só das grandes empresas.”

https://www.youtube.com/watch?v=IjoChlT7_nc&t=2549s