Lideranças nacionais debatem futuro da infraestrutura, logística e energia no PAINEL 2025

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– Promovido pelo Instituto Besc, encontro na FIESP reuniu autoridades e especialistas para propor soluções que integrem crescimento econômico, inovação e responsabilidade socioambiental

O Instituto Besc de Humanidades e Economia realizou na última quarta-feira, 5/11, na sede da FIESP, em São Paulo, o PAINEL 2025 – Pacto pela Infraestrutura Nacional e Eficiência Logística, um dos principais fóruns de debate sobre o futuro da infraestrutura, da logística e da energia no Brasil. O encontro reuniu lideranças públicas e privadas com o propósito de debater caminhos que unam competitividade, sustentabilidade e desenvolvimento regional equilibrado.

A presidente do Instituto Besc, Jussara Ribeiro, destacou o papel do evento como espaço de diálogo entre governo, iniciativa privada e academia. “O Painel é um espaço de reflexão estratégica e construção coletiva, que busca unir eficiência econômica, sustentabilidade e responsabilidade social”, afirmou.

A solenidade de abertura contou com a participação de Paulo Salvador, diretor-executivo da Grão-Pará Maranhão, que observou que o país vive um momento decisivo na logística, impulsionado pela transformação digital e pela urgência da sustentabilidade. O BNDES, representado por Edson D’Alto, destacou o papel do banco no financiamento de projetos voltados à eficiência e à modernização da matriz de transportes. Representando a FIESP, Vicente Abate, presidente da Amifer, lembrou que o Brasil se prepara para a COP 30 e que a indústria nacional tem papel estratégico na transição energética. Já Mário Borba, da CNA, defendeu o avanço da multimodalidade e dos investimentos em armazenagem rural como fatores essenciais para a competitividade do agronegócio.

Sessão 1 – O Futuro da Logística no Brasil: Inteligência, Eficiência e Sustentabilidade a Serviço da Competitividade

A primeira sessão, mediada por Cesar Meireles (Talentlog), abordou os caminhos para uma infraestrutura mais integrada, inovadora e sustentável. O debate partiu da projeção de que o mercado brasileiro de logística deve alcançar US$ 172,9 bilhões até 2033, impulsionado pela expansão do agronegócio, do e-commerce e por novos hubs logísticos multimodais. Nesse contexto, a integração eficiente entre rodovias, ferrovias, portos e terminais aduaneiros foi apontada como essencial para sustentar o crescimento econômico e ambientalmente responsável.

Everaldo Fiatkoski Júnior, diretor de Operações do Porto Seco Centro-Oeste, apresentou o modelo de Anápolis (GO) como exemplo de integração bem-sucedida entre ferrovia, rodovia e zona alfandegada. Ele defendeu a Ferrogrão como projeto de Estado estratégico para ampliar a competitividade do agronegócio e reduzir custos logísticos.

Gabriel Toscano Bandeira, da Infra S.A., apresentou o Plano Nacional de Logística 2050, que propõe uma reconfiguração da matriz de transportes, com maior participação de ferrovias e hidrovias e menor dependência do modal rodoviário. “Planejar com base em dados e em visão de Estado é essencial para garantir investimentos consistentes e sustentáveis”, afirmou.

A especialista em inteligência artificial Luciane Avelar destacou o papel da tecnologia na transformação das operações logísticas e nos ganhos de eficiência. Já Marco Aurélio de Barcelos Silva, diretor-presidente da ABCR, reforçou a importância das concessões bem estruturadas e da segurança jurídica para atrair investimentos e modernizar a infraestrutura nacional.

Sessão 2 – Visão de Longo Prazo: as Concessões

Mediada por Marcelo Perrupato (Magna Participações), a segunda sessão discutiu o papel do investimento privado e das parcerias de longo prazo na modernização da infraestrutura brasileira.

Projeções apresentadas durante o painel apontam que o país deverá receber R$ 372 bilhões em investimentos privados entre 2025 e 2029, impulsionados pela expansão das concessões em rodovias, ferrovias e mobilidade urbana — sendo R$ 288 bilhões destinados ao setor rodoviário.

Humberto Neiva e Eduardo Chrysostomo, da Aerom Mobilidade Sustentável, apresentaram o aeromóvel, tecnologia 100% brasileira e sustentável que reduz custos e emissões em ambientes urbanos. O sistema, que já opera em Porto Alegre e será implantado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, liga os terminais de embarque à estação de metrô em apenas seis minutos, consumindo até 90% menos energia que outros modais elétricos.

Clóvis Magalhães, secretário adjunto de Logística e Transportes do Governo do Rio Grande do Sul, destacou os esforços do estado na reconstrução da infraestrutura após eventos climáticos extremos e apresentou o plano de concessão de 1,3 mil quilômetros de rodovias, com investimentos de R$ 10 bilhões, além de projetos ferroviários e aeroportuários regionais.

Encerrando a sessão, Ricardo Trotti, diretor de Operações da Brasil Terminal Portuário (BTP), apresentou os avanços tecnológicos e o plano de R$ 2 bilhões em investimentos para ampliar a eficiência do Porto de Santos, com uso de 5G, automação e inteligência artificial. O painel concluiu que a previsibilidade regulatória, a inovação e a boa governança são fundamentais para garantir a confiança dos investidores e o sucesso das concessões.

Sessão 3 – Conectividade Digital e Sustentabilidade no Ecossistema Intermodal

Mediada por Giovanni Phonlor, diretor de Operações do Tecon Rio Grande, a terceira sessão destacou a convergência entre tecnologia, sustentabilidade e eficiência como motor da nova competitividade logística.

Antonio Grandini, sócio da Telostot//Tompkins, em parceria com Fernando Ferreira, presidente da Trouw Tecnologia, e Pedro Gonçalves, analista de Operações da NeoCert, apresentou uma jornada de descarbonização logística baseada em três pilares — evitar, mensurar e neutralizar — com uso de dados e automação para reduzir emissões em até 12% nas operações urbanas.

Vasco Oliveira Neto, CEO da nstech, apresentou o conceito de Transportation Network System (TNS) — uma rede digital colaborativa que conecta embarcadores, transportadores e motoristas, já adotada por 75 mil empresas e 3 milhões de profissionais. A solução usa inteligência artificial para reduzir a ociosidade de frota e otimizar o transporte de cargas. “Fazer mais com menos é o desafio central da logística moderna. A tecnologia em rede é o caminho para reduzir custos, emissões e salvar vidas nas estradas”, destacou.

Encerrando a sessão, Duperron Marangon Ribeiro, CEO da PhDsoft — associada ao Cluster Tecnológico Naval — apresentou os avanços dos gêmeos digitais e da engenharia aumentada, que combinam sensores, drones e simulações 3D para prever falhas estruturais, otimizar manutenções e ampliar a segurança operacional. “A engenharia aumentada é a nova fronteira da inovação. Ela não substitui o engenheiro, mas multiplica sua capacidade de análise, decisão e aprendizado”, afirmou.

O painel concluiu que a conectividade digital e o uso inteligente de dados estão no centro da nova logística — uma cadeia intermodal mais sustentável, transparente e eficiente, guiada por inovação, colaboração e propósito ambiental.

Sessão 4 – Capital Humano e seu Impacto na Infraestrutura e Logística

Encerrando o evento, o painel mediado por Danilo Dias, Global Chief Revenue Officer da HAYMAN-WOODWARD, trouxe à tona um tema essencial: a escassez de profissionais qualificados e o impacto do capital humano na competitividade do setor.

O Brasil enfrenta hoje um déficit estrutural de mão de obra técnica, especialmente em áreas como eletrônica, logística, engenharia de dados, segurança da informação, condução de cargas e manutenção industrial. A carência é agravada pela baixa formação técnica, pela alta rotatividade e pelo envelhecimento da força de trabalho — fatores que comprometem a execução dos grandes projetos de infraestrutura e a transição tecnológica em curso.

Denys Monteiro, CEO da ZRG Brasil, destacou que o país vive uma crise de sucessão técnica, agravada pela desestruturação de empresas de engenharia nos últimos anos e pela queda no número de formandos em engenharia — de 128 mil em 2018 para 93 mil em 2023.

Enio Stein, CFO da EPR Rodovias, abordou o impacto das novas tecnologias na formação de equipes do setor rodoviário, citando inovações como Free Flow, HS-WIN, drones e inteligência artificial, que exigem profissionais cada vez mais analíticos, multidisciplinares e adaptáveis.

Por fim, Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work, defendeu que os maiores ganhos de produtividade podem vir das pessoas. Ele propôs três frentes de ação: reconhecer os colaboradores como principal fonte de desempenho organizacional; usar inteligência artificial para monitorar e desenvolver equipes e líderes; e incluir gestão de pessoas nos programas de liderança.

O painel concluiu que a formação e valorização do capital humano é condição indispensável para a consolidação de uma infraestrutura moderna, sustentável e competitiva — e que investir em pessoas é tão estratégico quanto investir em tecnologia.

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