Atividade reuniu integrantes do Conselho em uma imersão na infraestrutura e nos projetos estratégicos do maior complexo portuário brasileiro
O Conselho Frotas & Fretes Verdes realizou, em 29 de julho, uma visita técnica ao Porto de Santos, com o objetivo de conhecer de perto a estrutura, o modelo de gestão e os principais projetos de expansão, inovação e sustentabilidade em desenvolvimento no complexo portuário.
Recebidos por Bruno Fernandes Takano, Gerente de Sustentabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS), os integrantes do Conselho participaram de uma apresentação sobre o funcionamento do porto e seus desafios atuais e futuros.
Durante a exposição, Bruno explicou o papel da Autoridade Portuária utilizando uma analogia bastante didática: a APS funciona de maneira semelhante à administradora de um grande shopping center, disponibilizando a infraestrutura e os serviços comuns necessários para que os diferentes terminais possam desenvolver suas operações. Cabe à Autoridade Portuária, entre outras atribuições, administrar o canal de navegação, a infraestrutura comum, os sistemas viários e ferroviários internos, o fornecimento de energia e planejar a expansão do complexo.
Um complexo de dimensões continentais
A dimensão da infraestrutura do Porto de Santos impressiona. O complexo conta atualmente com aproximadamente 25 quilômetros de canal de navegação, 58 terminais portuários, 64 berços de atracação, 16 quilômetros de cais, cerca de 100 quilômetros de ferrovias internas, 55 quilômetros de dutos e aproximadamente 20 quilômetros de avenidas perimetrais.
O canal possui profundidade operacional de aproximadamente 15 metros, com projetos de ampliação para níveis entre 16 e 17 metros nos próximos anos.
Outro destaque é a infraestrutura energética, que inclui a Usina Hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga. Com aproximadamente 15 MW de potência instalada, a usina gerou cerca de 60 GWh em 2025 e permanece como um ativo estratégico para o complexo, complementando o fornecimento de energia em alta tensão da CPFL.
Eficiência por meio da especialização
Por ser um porto multipropósito, Santos precisa lidar com diferentes tipos de cargas, cada uma com necessidades específicas de infraestrutura, equipamentos e processos.
Para ampliar a eficiência operacional, os berços foram organizados em clusters especializados, reunindo operações semelhantes em determinadas áreas.
Atualmente, existem clusters dedicados a celulose, açúcar, combustíveis, granéis líquidos, granéis sólidos vegetais, contêineres, carga geral e veículos.
Essa organização contribui para aumentar a produtividade e melhorar a eficiência dos fluxos logísticos.
Relevância para o comércio exterior brasileiro
Os números reforçam a importância estratégica do Porto de Santos para a economia nacional. Em 2025, o complexo registrou movimentação histórica de aproximadamente 186,4 milhões de toneladas, o maior volume anual já alcançado, correspondente a cerca de 30% do comércio internacional brasileiro.
No mesmo período, foram atendidos aproximadamente 5.700 navios, registradas cerca de 2,9 milhões de movimentações de caminhões e movimentados aproximadamente 555 mil vagões ferroviários.
O porto possui ainda uma ampla área de influência logística, o chamado Hinterland, que alcança principalmente os estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Entre os principais produtos exportados estão soja, café, açúcar, milho e algodão. Nas importações, destacam-se veículos, peças automotivas e produtos destinados ao agronegócio.
Expansão para um novo patamar
O Porto de Santos atravessa um importante ciclo de expansão, que envolve investimentos públicos e privados em aprofundamento do canal de navegação, derrocagem, modernização dos berços, ampliação da infraestrutura logística e novas soluções de inovação e tecnologia.
Também estão em discussão medidas para ampliar a área do complexo portuário em aproximadamente 56%, passando de cerca de 9,3 milhões para 14,5 milhões de metros quadrados.
A expectativa apresentada durante a visita é de que a capacidade de movimentação anual possa crescer de aproximadamente 187 milhões de toneladas, em 2025, para cerca de 300 milhões de toneladas até 2035.
Entre os projetos estruturantes está ainda o Túnel Santos–Guarujá, cuja entrada em operação está prevista para aproximadamente 2030. A obra deverá reduzir significativamente o tempo de travessia entre as duas margens, contribuindo tanto para a eficiência logística quanto para a mobilidade urbana da Baixada Santista.
Inovação e descarbonização no centro da estratégia
Um dos pontos de maior interesse para os integrantes do Conselho Frotas & Fretes Verdes foi a agenda de inovação e sustentabilidade da Autoridade Portuária.
A APS mantém cooperação com o PIT – Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, buscando desenvolver soluções voltadas à melhoria da
eficiência operacional, redução das filas de caminhões, digitalização de processos e descarbonização das operações logísticas.
O complexo portuário já possui inventário de emissões, assim como seus terminais individualmente, e a APS contratou um Plano de Descarbonização e um Plano Diretor Energético, que deverão orientar investimentos futuros relacionados à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Entre as iniciativas em desenvolvimento estão o fornecimento de energia elétrica para rebocadores durante a atracação e a participação em projetos internacionais de corredores verdes, em parceria com os portos de Valência, Rotterdam e HAROPA.
Também estão sendo avaliadas alternativas energéticas como etanol, bunker B24, metanol e gás natural liquefeito (LNG).
Tecnologia e regulação caminham juntas
Durante a apresentação, foi ressaltado que a transição para uma operação portuária mais sustentável não depende exclusivamente do desenvolvimento tecnológico.
Segundo Bruno Takano, questões regulatórias também representam um desafio importante, especialmente diante das regras internacionais estabelecidas pela International Maritime Organization (IMO).
Nesse contexto, foi citado o potencial do etanol de cana-de-açúcar brasileiro como alternativa para a redução de emissões, embora sua adoção no transporte marítimo internacional dependa também do reconhecimento e da regulamentação internacional.
Uma visão integrada do ecossistema portuário
Como complemento à apresentação, os integrantes do Conselho realizaram uma visita técnica em lancha pelo canal de navegação do Porto de Santos.
O percurso possibilitou observar diretamente os diferentes terminais especializados, os berços de atracação, embarcações de diversos portes e a intensa movimentação logística do complexo.
A experiência permitiu compreender, de maneira integrada, como infraestrutura, operações portuárias, transporte, energia, inovação e sustentabilidade se conectam para formar um dos mais importantes ecossistemas logísticos do país.
A visita proporcionou aos participantes uma visão abrangente dos desafios e das oportunidades associados ao crescimento do Porto de Santos, especialmente diante da necessidade de conciliar expansão da capacidade, eficiência operacional e transição energética.
Agradecimento
O Conselho Frotas & Fretes Verdes registra seu agradecimento à Autoridade Portuária de Santos, pela recepção e pela oportunidade de conhecer mais
profundamente seus projetos e estratégias, e especialmente a Bruno Fernandes Takano, pela apresentação e condução técnica da visita.
Um agradecimento especial também é dirigido a Fernanda Machado, da Eldorado Celulose, cuja organização, atenção aos detalhes, cordialidade, conhecimento do “ecossistema Santos” e capacidade de articulação foram fundamentais para o sucesso da programação.